Legado: Trajetória de Salezio Kindermann é marcada pela revelação de talentos

Texto de Andrielli Zambonin e Jairo Pedroso

 

Filho de José Adolfo e Laura Martins Kindermann, Salézio era formado em contabilidade pelo antigo Colégio Aurora. Foi fundador das empresas Vidraçaria Kindermann, Frame Madeiras Especiais Ltda., Juliana florestal e Hotel Kindermann. Salézio foi Vereador em Caçador entre os anos de 1997 e 2000, se destacando pelo trabalho realizado em diversas áreas, com ênfase ao esporte local.  Ainda na vida pública, foi secretário municipal da fazenda nos anos 2001 e 2002, durante a gestão do ex-prefeito Onélio Menta. No ano de 2014, recebeu do Poder Legislativo, através de indicação do ex-vereador Wilson Binotto, a Medalha de Mérito “Destaque Caçadorense”.

Salézio Kindermann deixa um legado não apenas na vida pública, mas em sua maior paixão, o esporte, e no empreendedorismo, através de investimentos que ajudaram Caçador a se desenvolver, gerando emprego e renda ao Município.

Salézio começou a vida esportiva em 1962 jogando como goleiro no Exército em Tubarão (SC). Em 16 de março de 1965 chegou em Caçador, onde começou a jogar pelos Falcões. 

Fundou a Sociedade Esportiva Kindermann em 1975. Na sequência, em 1978, o clube passou a se chamar Associação Caçadorense de Desportos. Nesta transição do Kindermann para Caçadorense foram feitos dois amistosos nacionais: kindermann X Santos- SP e Caçadorense x Vasco da Gama, de Roberto Dinamite.

Naquele período, além de revelar talentos, como Ademir Padilha, Délcio, Zeca, Galina, Cabinho, Bizu, Elizeu, Pedrinho, Valmor, Vilmar entres outros, o clube ganhou títulos importantes, como a 2ª divisão de 1989 contra o tradicional rival Internacional de Lages.

Nos anos 90, após o futebol masculino estar desativado em Caçador, o Kindermann foi refundado em 1996. Novos nomes com Paulinho França, Ademir Sopa e Patrício, que chegou a disputar final de Libertadores pelo Grêmio, foram revelados. O clube, novamente, disputou a principal divisão catarinense.

Em 2004, o Kindermann, em parceria com a UNIARP, passou a investir no futsal feminino. No primeiro ano, os títulos dos estaduais sub-17, sub-20 e adulto, além da Taça Brasil sub 20, mostravam que o projeto veio para ficar.

Na modalidade feminina, não foi diferente, Salézio revelou alguns dos maiores nomes atualmente, como Gaby Zanotti, Julia Bianchi, Andressinha, Djeini, Camilinha, Gabi Portilho entre outros nomes. 

 

Em 2005, com Salézio à frente do projeto, ganhou a sua primeira Taça Brasil adulta e, ainda após o título Brasileiro de Campo, em parceria com a Uniarp, teve a honra de representar a seleção brasileira no Mundial Universitário, em Izhmir, na Turquia, onde conquistou o título. Em 2007, conquistou a Liga Nacional e resolveu partir para o campo, onde estreou em 2008.

No campo, a hegemonia do salão foi repetida, e o Kindermann conquistou o hexacampeonato estadual consecutivo, além de ter sido base da seleção brasileira sub 17, que disputou o Mundial, em 2012, no Azerbaijão. 

Em parceria com o Colégio Marcos Olsen, as atletas do Kindermann conquistaram o bicampeonato brasileiro e sul-americano nos anos de 2011 e 2012.

Em 2013, o Kindermann venceu as Taças Brasil sub 15, e sub 17, tornando-se o único clube do futsal brasileiro a ter todos os títulos nacionais. 

Salézio Kindermann ganhou o troféu de destaque como melhor dirigente esportivo em Santa Catarina, através do jornal A Notícia, no ano de 1997.

A associação esportiva Kindermann foi considerada pelas atletas como uma das maiores e melhores estruturas de futsal e futebol feminino no Brasil.

Já o Hotel Kindermann possui Selos Sociais, entregues pela Câmara Municipal de Caçador, por apoiar projetos sociais.

Nos últimos 12 anos com a modalidade feminina, foram 11 títulos estaduais, um vice-campeonato brasileiro (2014), uma semifinal de Série A1 (2019) e o maior feito: a conquista da Copa do Brasil (2015). No final de 2015, Salézio quase foi vítima de um homicídio. No mês de dezembro daquele ano, Salézio estava com a sua família e com Josué Henrique Kaercher, então técnico da equipe, quando Carlos José Corrêa, ex-treinador do Pantera Negra, um time de futsal mantido pelos mesmos donos do clube catarinense, entrou no escritório da família com uma arma de fogo e ameaçou matar todos que ali estavam. Carlos José Corrêa conseguiu assassinar Josué, e por pouco não tirou a vida de mais pessoas.

Depois dessa tragédia, o projeto do Kindermann teve uma pausa forçada durante 2016. Na metade do ano, Salézio tomou a decisão de que em 2017 iria voltar com a equipe, já que tinha conseguido uma vaga para disputar série A-1.

Ainda em 2017, Salézio deu vida a equipe feminina do Napoli, que nasceu para facilitar a montagem de um torneio estadual. Naquele ano, a federação catarinense estava com dificuldades de reunir quatro clubes para montar um campeonato. Apenas Criciúma, Chapecoense e Kindermann estavam aptos para competir e, por isso, o presidente Salézio Kindermann resolveu apostar na criação de uma nova equipe. O Napoli surgiu para que fosse possível organizar uma competição, se desenvolveu como um braço do Kindermann para, só depois, começar a andar com as próprias pernas.

Em 2019, O Kindermann firmou parceria com o Avaí, pela obrigatoriedade de os times envolvidos em competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terem representantes no feminino. Por isso, a equipe atua como Avaí/Kindermann. Salézio assinou a parceria junto ao presidente do Avaí, Francisco José Battistotti.

Também em 2019, Salézio foi premiado com a Comenda do Mérito Desportivo, durante cerimônia de premiação do Troféu Gustavo Kuerten de Excelência no Esporte.⁣⁣ Comenda entregue pelo governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva. 

Na competição nacional edição de 2020, Salézio conseguiu realizar mais um sonho: Ser campeão Brasileiro de Futebol Feminino. Com a equipe do Napoli, Salézio trouxe para Caçador o título inédito da série A-2. E ainda em 2020, o ano foi um dos melhores para o Avaí Kindermann, que ficou vice-campeão Brasileiro.

Outra conquista de Salézio foi disputar a CONMEBOL Libertadores. O Avaí Kindermann conquistou a vaga e foi para a disputa em março de 2021, realizando a edição 2020, que havia sido adiada. Salézio acompanhou a equipe em Buenos Aires, na Argentina, para a competição. A disputa foi um marco, já que o Kindermann desistiu da vaga para a Libertadores em 2016. devido a tragédio com o assassinato do treinador da equipe. 

Antes de ser positivado com Covid-19, Salézio negociava com empresas locais possíveis patrocinadores para o Napoli e Avaí Kindermann, já que no último ano o custo da equipe subiu consideravelmente. Salézio sempre manteve as equipes com o apoio do Ministério do Esporte, pelo Governo Federal, com a Lei de Incentivo ao Esporte. O projeto ajuda a comprar materiais para treino e a manter os custos básicos da equipe.

Em meio ao esporte, Salézio também conseguiu se dedicar à cultura. Criou o projeto inicialmente intitulado Caçador de Músicos. São dezenas de alunos da rede municipal de ensino que recebem aulas gratuitas de flauta doce. Atualmente o projeto chama-se Músicos do Contestado. Totalmente idealizado por Salézio, as crianças ganham as flautas para poderem praticar a música. O sonho de Salézio era expandir o projeto de flauta doce e montar uma banda completa.

 

 

Napoli faz bom jogo mas é derrotado pelo Inter

O Napoli perdeu para o Internacional, na tarde desta quinta-feira, em Caçador, no Oeste catarinense, em partida válida pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.